
Desde que Javier Milei assumiu a presidência da Argentina em dezembro de 2023, o país tem passado por uma guinada liberal sem precedentes. Com uma agenda de austeridade fiscal, redução do papel do Estado e abertura da economia, Milei busca tirar a Argentina de uma crise econômica crônica, caracterizada por décadas de inflação descontrolada, déficits fiscais persistentes e um setor produtivo engessado por regulações excessivas.
A Política Econômica de Milei
O governo Milei adotou um choque de liberalismo econômico com medidas ousadas, incluindo:
- Corte de gastos públicos: Redução drástica de subsídios, diminuição do número de ministérios e enxugamento da máquina estatal.
- Dolarização e desregulamentação: Apesar de ainda não ter formalizado a dolarização da economia, Milei tem promovido a livre utilização do dólar em transações e flexibilizado controles cambiais.
- Privatizações: Diversas empresas estatais estão sendo preparadas para privatização, buscando aumentar a eficiência e reduzir o peso do Estado na economia.
- Ajuste fiscal severo: A busca pelo equilíbrio das contas públicas tem sido uma prioridade, com corte de programas sociais e eliminação de déficits operacionais.
Queda da Inflação: O Grande Trunfo
A inflação na Argentina, que havia ultrapassado 200% ao ano antes de Milei, começou a dar sinais de desaceleração. O ajuste fiscal e a política de corte de emissão monetária reduziram a pressão inflacionária, trazendo alívio ao consumo e melhorando a previsibilidade econômica. Como Friedrich Hayek destacou em "O Caminho da Servidão": "A inflação é sempre e em toda parte um fenômeno monetário." Essa política reflete a visão da Escola Austríaca, que há muito tempo defende que o controle da moeda é essencial para evitar ciclos destrutivos de inflação e recessão.
O Paralelo com Outras Experiências Liberais
O experimento liberal de Milei remete a iniciativas similares ao redor do mundo. No Chile, as reformas liberais da década de 1980 criaram um ambiente de crescimento sustentado, mas também enfrentaram críticas por desigualdades sociais. No Reino Unido, Margaret Thatcher promoveu uma agenda semelhante, desestatizando a economia e combatendo a inflação com políticas rígidas. O mesmo ocorreu nos Estados Unidos com Ronald Reagan, que apostou na redução de impostos e na desregulamentação para impulsionar o crescimento.
Ludwig von Mises, um dos grandes pensadores da Escola Austríaca, já alertava sobre os efeitos nocivos da intervenção estatal: "O governo nada pode dar a alguém que antes não tenha tirado de outro." O projeto de Milei, ao reduzir o papel do Estado, busca exatamente esse princípio: permitir que o mercado, e não os burocratas, determine os rumos da economia.
Os Desafios à Frente
Apesar dos avanços na contenção da inflação, a Argentina de Milei enfrenta desafios significativos:
- Recessão econômica: O ajuste fiscal severo reduziu a atividade econômica e aumentou o desemprego.
- Resistência política e social: Reformas estruturais enfrentam oposição de sindicatos e movimentos sociais.
- Sustentabilidade das reformas: A implementação de um modelo liberal exige tempo e estabilidade política para consolidar os ganhos iniciais.
Murray Rothbard, outro grande nome da Escola Austríaca, observou que "o livre mercado é a única solução moral e prática para os problemas econômicos". Se Milei conseguir estabilizar a economia e atrair investimentos, a Argentina poderá se tornar um exemplo de recuperação baseada em princípios liberais. Caso contrário, enfrentará um novo ciclo de instabilidade e incertezas.